6.9.06

Adeus

PROBLEMA 1034.

Versão 1
Dei por terminado os meus problemas. Desisti deles como quem deixa de propósito qualquer coisa em algum lugar e não mais a vai buscar. Atirei a chucha aos peixes, pronto.

Versão 2
Falta um minuto para o fim e anda tudo muito entusiasmado com a extinção dos meus problemas. 5, 4, 3, 2, 1...

THE END (to be, or not to be the end, that is the problem)brevemente

4.9.06

O que querem que diga?

PROBLEMA 1033. "Com tanto para observar, a comida perde importância [o que observou até agora?]. Coragem. Febre. Gula. Irritação aguda. Inveja. Esperteza. Inteligência. Os defeitos e virtudes habituais de qualquer ser humano".
(Sherlock Holmes)

3.9.06

Saudade

PROBLEMA 1032. A saudade é um comboio a partir, é um prego preso na madeira difícil de arrancar para suster o quadro dos vossos olhares, é um estremecer cá dentro, mas que amanhã se recompõe porque o vosso último olhar para mim é que conta, e aqui ficará para sempre , é um jogo divertido , um segredo só nosso, para enganar a saudade: Janeiro, não sejas foleiro; Fevereiro, és um porreiro; Março, dá cá um abraço; Abril, águas mil; Maio, come paio; Junho, ergue o punho; Julho, não faças barulho; Agosto, come com gosto; Setembro, se bem me lembro; Outubro, com a manta me cubro; Novembro, à espera de Dezembro; Dezembro, relembro.

2.9.06

O que sinto

PROBLEMA 1031. Será o mesmo que sente o bicho da seda a mudar de forma para uma borboleta?

1.9.06

destino das almas

PROBLEMA 1030. Tenho de voltar ao museu para ver o meu duplo numa fotografia. Vou munido de uma máquina e depois mostro-vos a minha figura há muitos anos, algures na cidade de Lisboa. Só espero que não me tomem como um terrorista de almas.

o nome

PROBLEMA 1029. "António, apresente-se à caixa! António, apresente-se à caixa! Apareceram cinco antónios.

30.8.06

o segredo e às voltas de uma indefinição

PROBLEMA 1027.
- Tens algum segredo para me contar?
- Qual é a palavra-chave?
- Esqueci-me.
- Eu também.

PROBLEMA 1028.mp1
"O amor é um piano cilíndrico" (Monty Python)

27.8.06

domingo

PROBLEMA 1026.Para mim, é sempre domingo. Porque volta e meia dou comigo a divagar, a sonhar. Isso cria-me problemas nas minhas tarefas diárias. Há mais seis dias na semana e até há domingos em que costumo trabalhar.

carta de condução

PROBLEMA 1025. É preciso ter carta de condução para conduzir o nosso próprio destino?

o beijo

PROBLEMA 1024. cafe1
Logo eu que gosto tanto de dormir. Sou feito para o repouso, não para a luta.

a timidez e o silêncio

PROBLEMA 1023. Um regresso (?) tímido. Isto da timidez faz-me ficar na dependência dos malandros. Um regresso após um silêncio prolongado. Há sempre algo de ameaçador num intervalo demasiado dilatado.

15.7.06

A duração dos intervalos

PROBLEMA 020365.Digitalizar0003

A vida não se limita a pensar, é vontade e movimento.

A pergunta

PROBLEMA 1022. Em 178 países, Portugal está no 136º lugar dos que possuem maior indíces de felicidade. O primeiro é um pequeno país do Pacífico chamado Vanuatu. Será que os países mais escondidos permitem vidas mais felizes?

9.7.06

Fuga

PROBLEMA 1021. Um acorde melancólico de Elgar desligou-me dos assuntos terrenos por um instante. A pintura de Vermeer reconciliou-me comigo próprio. O pior foi depois. Quando os assuntos terrenos voltaram-me a chatear. Porque tem de ser assim?

Na feira

PROBLEMA 1020. Um peixe de plástico5 uma caixa de bombokas3 um porta-chaves (António, dedicado e amigo do seu amigo, guerreiro por natureza)4e um livro1. Isto de ir à feira e tirar umas rifas não faz nada bem à minha consciência.

tempo perdido

PROBLEMA 1019. Uma descoberta tardia. Atravessar a ponte sobre o Tejo de comboio assemelha-se a fazê-lo de avião no regresso a Lisboa. As luzes da cidade provocam um espectáculo único. É nestes dias que o sentimento de tempo perdido cochicha mais.

Das conversas

PROBLEMA 1018. Todas as conversas que na vida real nunca posso levar a cabo, porque acabariam em explosões de violência, vão-se depositando aqui como se de problemas se tratassem.

As vitórias morais

PROBLEMA 1017. Não se faz futebol com bons sentimentos.

27.6.06

sem tempo para disposições mentais

PROBLEMA 1016. Não tenho tempo. Queria ter. Disposição mental. Para te pedir desculpa.

O desenho

PROBLEMA 1015. Quando Deus me desenhou deve ter partido o bico do lápis. Tenho uma pequena, insignificante, saliência na orelha direita.

a luta

PROBLEMA 1014. Tenho um milénio de anos mas o meu coração bate como se tivesse um segundo de vida.

23.6.06

alegria

PROBLEMA 1013. Qual será a melhor maneira de administrar a alegria, de repartir a alegria por vários dias? Custa menos.

A letra

PROBLEMA 1012. A letra que usava para escrever era diferente da utilizada para a lista de compras.

19.6.06

A pizza

PROBLEMA 1011. Cada um de nós tem uma irremediável catástrofe, uma derrota. Hoje, ao colocar uma pizza no micro-ondas calculei mal o tempo e queimei-a.

18.6.06

Futebol

PROBLEMA 1010. “Aprendi que a bola nunca vem para a gente por onde se espera que venha. Isso ajudou-me muito na vida, principalmente nas grandes cidades, onde as pessoas não costumam ser aquilo que a gente acha que são as pessoas verticais”
(Albert Camus).

PROBLEMA 1011. Ando bem entretido a ver o Mundial. Quero lá saber o que dizem aqueles que não gostam do jogo. Respeito a opinião, mas eu adoro este jogo. O futebol recupera a infância de cada um de nós. A minha, em particular. Já não posso é ir para o adro da igreja jogar o meu Mundial.

11.6.06

A guerra

PROBLEMA 1009. Travamos a maior guerra de todas dentro de nós. Há muito tempo que é assim.

Salto mortal

PROBLEMA 1008. Não me lembro de alguma vez ter dado um salto mortal. Talvez tente um dia destes só para saber se depois tudo recomeça de novo, apenas de maneira diferente.

2.6.06

O cansaço

PROBLEMA 1007. "O senhor feijão é um pobre coitado/deitou-se no chão e ficou semeado." (Samuel Úria)

Perspectiva

PROBLEMA 1006. Uma das mulheres mais bonitas da minha rotina trabalha num pequeno escritório de contabilidade. Só falo com ela uma vez por ano. Mas vejo-a todos os dias. Ao longe. Como se fosse um quadro de Vermeer. Como se o longe estivesse tão perto mas nunca chegasse perto dele.

29.5.06

O silêncio de Deus

PROBLEMA 1005. 1

pensamentos

PROBLEMA 1004. guerra

O gato

PROBLEMA 1003. Um gato perdido anda pela pouca sombra que ainda resta nestes dias de calor e vai descobrindo que está cada vez mais a desviar-se do caminho de regresso a casa.

20.5.06

artimanha

PROBLEMA 1002. Tenho de arranjar maneira, seja lá como, de na próxima sexta-feira baldar-me mais cedo ao trabalho para chegar a casa e ver o segundo episódio da mini-série "Net Force" sobre a influência do poder cibernético na sociedade actual. No AXN.
Netforce
("Preferia o tempo em que mandávamos cartas com selos".)

Os gigantes

PROBLEMA 1001. "Talvez a solução para o mundo seja que todos nos tornemos pigmeus, uma vez que os recursos estão a esgotar-se. Sabemos que já aconteceu. Daqui a mil anos, a selecção talvez favoreça os que consomem menos recursos. Os gigantes não têm futuro". (Sydney Brenner, Nobel da Medicina 2002).

19.5.06

sonho

PROBLEMA 1000. Acordei cansado. Tive um sonho estranho. Vi-me na mente. No céu estive, na terra andei, pelas águas passei; nos animais, nas plantas, estive em todas as coisas, em todos os lugares.

18.5.06

Universos paralelos

PROBLEMA 999. Desconfio que devo ter uma vida secreta. Uma outra identidade. Hoje de manhã, uma senhora que nunca tinha visto na minha vida, cumprimentou-me, com dois beijinhos na cara, perguntou-me se as obras na nova casa, que não tenho, já estavam prontas, se tinha tudo corrido bem em Londres, onde não fui nos últimos tempos, e quando é que o livro que andava a escrever era publicado, o que não é verdade.

a rotina

PROBLEMA 998. A mulher mais bonita da minha rotina estava atrás do balcão do café onde vou todas as manhãs. Estava. Não vou deixar de ir ao café. As rotinas são para se manterem. Mas já não é a mesma coisa.

13.5.06

o horóscopo

PROBLEMA 997. Lia o horóscopo todos os dias até que alguém lhe chamou a atenção que o jornal era do ano passado.

A ameaça

PROBLEMA 997. É nos sítios mais inesperados que acabamos por ser ameaçados. Estava na casa de banho da estação de comboios a urinar quando deparei com a seguinte mensagem na parede: "Rapidamente, e com toda a precisão, o seu caso será estudado e os resultados far-se-ão sentir logo após a primeira semana. Assim, se realmente pretende mudar a sua vida e a dos seus entes mais queridos, não hesite, dê, hoje mesmo, o passo que o pode levar a viver dias mais felizes".
Assim, tão fácil? Acho que vou desistir de ser feliz.

Viagem (continuação)

PROBLEMA 996. Estou a precisar de desintoxicar-me da minha absorvente mania de levar o trabalho demasiado a sério. O mesmo é dizer que estou a precisar de férias.

P.S. Faltam 62 longos dias...

A viagem

PROBLEMA 995.Ele tinha o delírio das viagens, a ânsia de dispersar-se, a curiosidade insaciável do peregrino. E uma borboleta na barriga. Decidiu partir para Veneza. Sim, ele sabia que não se deve regressar a um local onde se foi feliz, mas também tinha a mania de reacender lenha queimada.

6.5.06

Deve ser por isso

PROBLEMA 994. Há uma personagem erudita que, de vez em quando, visita-me e traz-me coisas como esta:
Deve ser por isso
que eu não distingo as realidades,
que eu não vejo onde começa o impossível,
que eu sinto a insatisfação dum mesmo sítio
e desejo outro lugar constantemente;
deve ser por isso
que eu não escolho um destino para me assentar depois
e ando a tropeçar à espera, à espera,
sem mesmo disso ter perfeita consciência...
deve ser por isso
que eu estendo a mão para um objecto
e ele está mais longe que o comprimento do meu braço.
Jorge de Sena

a ferida e a borboleta

PROBLEMA 993. Apareceu-lhe uma ferida no pulso durante a noite. Não se recorda de nada. Talvez se tivesse levantado de madrugada e, na escuridão do corredor, tivesse batido com a mão na maçaneta da porta. E apareceu-lhe uma borboleta no quarto. Disso lembra-se. Deixou a janela aberta e quando foi dormir lá estava ela no tecto. Travou uma dura batalha de vassoura na mão para a expulsar. Até que de repente a borboleta caiu morta no chão. Exausta de andar a fugir dele. E ele não teve coragem de fechar a janela. E adormeceu. Mas não se lembra muito bem se foi mesmo assim.

o riso

PROBLEMA 992.
- Há quanto tempo não te lembras de rir nos teus sonhos?

4.5.06

eu

PROBLEMA 991. Entrei no elevador e ao olhar para o espelho vi o meu rosto multiplicado. Era eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu...não tinha fim. Foi então que percebi que isto de ser eu é ainda muito mais complicado do que eu julgava.

Bacalhau de cebolada

PROBLEMA 990. O único bacalhau que não gosto é o de cebolada. E cada vez sou menos um francês, rima e é verdade! Por isso, ontem, por força das circunstâncias juntaram-se duas forças negativas contra mim. O dito bacalhau com cebolada e uma citação de Eça de Queirós que me foi impingida: "Os meus romances, no fundo, são franceses, como eu sou, em quase tudo, um francês - excepto num certo fundo sincero de tristeza lírica que é uma característica portuguesa, num gosto depravado pelo fadinho, e no justo amor do bacalhau de cebolada!" (Eça de Queiroz, carta a Oliveira Martins).

uma história amarga

PROBLEMA 989. Havia o açucar, o mais doce dos alimentos, de contribuir para um dos episódios mais amargos da história da formiga.

28.4.06

memória

PROBLEMA 988. Descubro tantos anos depois que esta série, afinal, marcou-me para o resto da vida. Porque raio de acaso fui vê-la outra vez?
strogof

a lavandaria

PROBLEMA 987. Houve uma troca qualquer na lavandaria, ai isso houve. Tenho duas camisas, tenho quase a certeza que não são minhas. São parecidas, mas parecem-me estranhas. Ou então estão a ficar gastas...ou então estou eu a ficar usado de mais.

Insónia

PROBLEMA 986. Só quando o gato adormece é que o rato pode brincar.

18.4.06

O beijo

PROBLEMA 985. Os lábios de uma japonesa diferem dos lábios de uma escandinávia. Mas o beijo é o mesmo.

O absurdo

PROBLEMA 983.Tudo se passa como se o gato me tivesse comido a língua e voltasse de noite para me sussurar palavras ao ouvido enquanto durmo. Por isso tenho uma voz aqui dentro que não se cala. E que inventa. Porque não tem nada para contar.

PROBLEMA 984. Quase a dar por encerrado os meus problemas, ou os meus problemas a darem-me por encerrado, não sei, é que descubro que a única coisa que resta em mim é uma voz que fala, sem identidade e sem determinação de espaço e tempo. Sou, por isso, um débito de palavras infinito na lógica gigantesca que é o monólogo do universo

13.4.06

A mosca

PROBLEMA 982. Sou vítima das moscas. Elas reconhecem-me e preferem-me. Caíu uma no meu uísque. Retirei-a minuciosamente com a ajuda de um colher de chá. Para meu espanto ela sobreviveu e voltou a voar. Vou encher outro copo de uísque. Pode ser que me aconteça o mesmo que à mosca. Volte a voar.

Diálogos cruzados

PROBLEMA 981.
- A minha vida é um comboio.
- Uma viagem interior.
- Uma voz que chega até mim.
- A vida é uma estação.
- É difícil definir o clima neste meu País. Tenho as quatro estações do dia dentro de mim.
- Este ano não sei onde vou. Ainda não decidi.
- Espera por mim numa passadeira vermelha.
- Inclino-me para uma explicação para isto.
- O segredo é ter boas parcerias.

Que dia é hoje?

PROBLEMA 980. O respeito pelas datas, pelo correr do tempo, desaparecia-lhe da mente nos momentos em que se sentia alegre e festivo, com a impressão de liberdade absoluta, de poder fazer o que lhe bem apetecia. E por isso perguntava, com frequência: "Que dia é hoje?". Cada vez menos era assim.

4.4.06

Os segredos

PROBLEMA 979.
- Que tens nos bolsos?
- Segredos.
- Mas que pode esconder um homem nos bolsos?
- Segredos.
- E se os bolsos estiverem rotos?
- Lá se vão os segredos.
- Queres que te coza os bolsos?
- Para quê?
- Para não perderes os teus segredos.
- Perco-os à mesma.
- Como?
- Segredo.

Bolachas Maria

PROBLEMA 978.Comer uma, duas, três bolachas Maria antes de adormecer.

31.3.06

A ligação das coisas (continua)

PROBLEMA 977. É só para dizer que a camisola de lã continua agarrada ao tronco de árvore.O caracol desapareceu. Desapareceu, não. Deve ter ido apanhar sol para outro lado.

Anjo da guarda

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Afinal, o meu anjo da guarda era eu.

a memória

PROBLEMA 975. A vida não é a que cada um viveu, mas a que recorda e como recorda.

26.3.06

a ligação das coisas (continua)

PROBLEMA 974. A verdade é que a camisola de lã e o caracol continuam juntos passados estes dias. Mas agora já não estão por terra. Alguém pegou neles e prendeu-os a um tronco de árvore.

acertar o passo

PROBLEMA 973. Então a vida é apenas acertar o passo com o tempo? Tenho de adiantar o relógio mais uma hora, é isso? E depois lá mais para a frente voltar a atrasar? Vamos lá a ver se consigo. Nunca fui à tropa.

Neura

PROBLEMA 972. Estava com a neura e deu-lhe para ir à praia. Estava um frio de gelar mas mesmo assim aventurou-se. Sempre podia telefonar a dizer que não podia ir hoje trabalhar porque sofreu uma intoxicação alimentar. Sentou-se numa esplanada, à beira-mar, e deliciou-se com um arroz de marisco, vinho branco gelado e umas ostras de entrada. Este era o outro dele próprio. Porque ele próprio estava com a neura mas sentado à secretária a despachar serviço.

19.3.06

a ligação das coisas

PROBLEMA 971. Um camisola de lã azul e cinzenta deixada ao abandono repousa na terra molhada. Porque choveu. Um caracol descansa numa das mangas. Porque sim. De quem seria a camisola? Porque está ali tão deixada de todo? Que irá acontecer ao caracol? Porque foi ele ali parar?

O amor

PROBLEMA 970. A condição das relações humanas chegou a este ponto.Final. Uma conversa que ouvi no comboio, onde um rapaz ao telemóvel dizia mais ou menos isto: "Amo-te muito, mas à distância. Consegues compreender?"

16.3.06

os sonhos

PROBLEMA 969.Digitalizar