31.12.04

Ler

PROBLEMA 406. Todos os dias entrava numa livraria e abria a primeira página de uns cinco, seis, sei lá, talvez sete livros e ficava ali de pé a ler. Mas só lia a primeira página.

30.12.04

Ano velho

PROBLEMA 405.
- Quem está mal, muda-se.
- Para onde? Está tudo ocupado!

29.12.04

As coisas do Mundo

PROBLEMA 404. Descobri que eu e a minha gata temos algo em comum mas que nos está a criar problemas de relacionamento. No que me diz respeito, gosto de ler o jornal e ver a televisão pela manhã para saber as novas do Mundo. A minha leitura faz-se por demarcação de assuntos, como se de territórios se tratassem. Um pouco como a minha gata faz cá em casa com o nariz dela. Logo pela manhãzinha começa a cheirar tudo, numa espécie de reconhecimento do dia. O que me inquieta é pensar se ela não saberá as coisas sempre primeiro do que eu...já não é a circunstância de quando acordo já ela andar de um lado para o outro da casa, mas sim o ar troçista que ela me faz quando lhe conto uma novidade é que me está a deixar nervoso.

Da massa que somos feitos

PROBLEMA 403. Isto não é vida, embora digam que sim. É uma coisa assim como café pingado. Aqui e acolá bebemos uma bica temperada com açúcar e sentimo-nos reconfortados, mas hoje tive a sensação que as bicas do meu café já não são como eram. Para agravar a situação, até os sonhos já não são tão bons como eram. Deve ser da massa. Ou então da massa com que vou sendo feito.

28.12.04

Declínio de gente comum

PROBLEMA 402. Um homem vestido todo de negro está a criar o pânico. Passa o dia a mordiscar as orelhas às mulheres e a atirar exemplares da Bíblia aos homens. Age pela calada. Ninguém ainda o conseguiu deter. Os cafés estão às moscas. Anda toda a gente com medo de sair à rua.

27.12.04

O despertador

PROBLEMA 401. Há já algum tempo que o meu despertador marca as 7.30. Nestes últimos dias, refugiado e alheado das exigências do mundo, tenho-me esquecido de lhe dar corda. Está explicado porque tenho acordado tão tarde. O problema é que o mundo, com todas as suas exigências, não me vai esquecer e um dia destes lá terei de dar corda ao despertador.

26.12.04

Tremores

PROBLEMA 400. Por cada tremor de terra, é a humanidade na sua lenta extinção ou na sua permanente reciclagem?

25.12.04

O bule

PROBLEMA 399. Um bule como prenda de natal. Que fazer com um bule? Poisar um livro e beber um chá? Mas… E se não gostar de chá? Continuar a ler o livro, pois. Mas e o bule? Que fazer com um bule?

Lixo

PROBLEMA 398. Sobejos de comida deixada aos montes (a televisão ficou ligada, a playstation deixou o aviso: algumas pessoas estão sujeitas a sofrer perdas de consciência quando expostas a certas luzes intermitentes ou padrões de luz). Olho para a rua e o que vejo? Os caixotes de lixo na noite de Natal são proporcionais à lixeira interior de cada um de nós.

24.12.04

Ajuda-me

PROBLEMA 397. Hesitei muito. Adiei até. Mas um impulso desconhecido em mim deu-me coragem. Afinal pode ser que seja uma forma de tu, estejas onde estiveres, receberes o meu desabafo. Preciso hoje de ti. Desculpa se nos outros dias não tenho tempo para pensar em ti, tão depressa passam os meus dias. Mas hoje é a noite em que as minhas filhas vão desembrulhar as prendas e eu vou-me lembrar do volante de plástico que me ofereceste para guiar ao teu lado, das idas ao café, das vezes em que me sentava ao teu colo e via os jogos de futebol às 11 horas da manhã. Lembras-te? Ajuda-me.

23.12.04

O Natal da minha gata

PROBLEMA 396. Não me importava nada de ficar aqui (aqui neste ninho). Tinha tempo de te escrever uma carta. Mas não posso. Vem aí o Natal e vou-me esconder. É agitação de mais para mim. Quando todos estiverem a dormir, de barriga cheia, cuido de mim.

22.12.04

Aleatório

PROBLEMA 395. O que eu queria dizer nos problemas trezentos e noventa e dois e trezentos e noventa e quatro era que tinha acabado de ter um ataque de melancolia, não tinha nada a ver com o Natal ou o Ano Novo. Senti apenas a necessidade de estar sozinho. O problema é este: como é que a minha atitude perante a vida pode estar tão dependente de coisas tão aleatórias, como o estado do tempo ou o meio onde me encontro na altura?

21.12.04

Dúvida

PROBLEMA 394. Porque será que sempre por altura do Natal e Ano Novo encontro por acaso tanta gente conhecida que já não via há muito tempo?

Sonhos

PROBLEMA 393. Nos meus dias, há sonhos que morrem facilmente. A sala onde vi pela primeira vez “E tudo o vento levou” é hoje um banco . A sala onde vi “Nova Iorque fora de horas” é hoje uma seguradora.

20.12.04

Natal

PROBLEMA 392. Não é por nada mas estou a ficar stressado com o aproximar da noite de Natal. Fico sempre assim. Os nervos sobem-me à cabeça e é um desatino. Nestes dias assim se fizessem uma exploração ao meu sistema nervoso tenho a impressão que iriam descobrir mais mundos que este mundo.

19.12.04

O elevador da vida

PROBLEMA 391.
- O senhor sobe?
- Não, desço. Obrigado.

18.12.04

Chapéu de chuva e rotundas

PROBLEMA 389. Sempre que levo um chapéu de chuva para o trabalho, não chove...

PROBLEMA 390. O povo português adora circundar um problema. As conversas ao telefone ou ao telemóvel são disso um bom exemplo. Talvez seja por isso que não existe em todo o mundo um país com mais rotundas como o nosso.

17.12.04

Descanso

PROBLEMA 388. Acordei às 8.57 da manhã numa cama diferente algures num hotel desta Europa dividida cheio de vontade de mijar resultado de uma descomunal bebedeira. Abri as persianas e dei de caras com um escritório em ebulição laboral. No meio de tanta gente a executar tarefas que ao meu olhar nada significavam, reparei numas mãos finas, cuidadas. E numas meias negras. Aquela maneira de estender a perna era diferente. Desejei ter uma máquina perfeita no sítio do botão do meu pijama e ficar sentado a fazer absolutamente nada.

16.12.04

Os dados estão lançados

PROBLEMA 387. Comprei um dado para indecisos. “yes”, “no” ou “maybe” são as hipóteses em jogo. Perante uma indecisão lançam-se os dados e a resposta é-nos dada. Sejamos sérios: não vale pensar que o dado adivinha o futuro, não. Ele só tem efeito perante problemas que na altura se apresentam aparentemente sem resolução. Já fiz dois lançamentos, o resultado é sempre o mesmo: “maybe”…

15.12.04

Ao que isto chegou

PROBLEMA 385. Já tinha lido nos jornais mas agora confirmei-o. A cadeia de lojas britânicas "Mark & Spencer" oferece aos homens uma maneira de se entreterem durante as compras de Natal. Chamam eles a isto "as creches dos homens". Aí encontrei grandes sofás de cabedal, vários ecrãs de televisão a darem jogos de futebol, linha de acesso directa à Internet, jogos de computador e da playstation, jornais europeus. Tudo para nos entretermos enquanto as mulheres, as nossas mulheres, fazem compras.

PROBLEMA 386. Mais uns metros à frente e dou de trombas com a "fábrica dos ursos". Ursos destinados a serem de peluche são enchidos e depois cozidos antes de irem parar aos braços dos clientes.

14.12.04

Incidente

PROBLEMA 384. Estou frágil e vulnerável. Móvel. Como esta escrita descontínua e fragmentária. Não estou aqui.

13.12.04

As mentiras

PROBLEMA 383. A esmagadora maioria das mulheres reconhece mentir para evitar situações embaraçosas, diz o semanário feminino "That's Life". Quanto aos destinatários das mentiras, os parceiros vêm à cabeça (70 por cento), logo seguidos pelos amigos e familiares (64 e 65 por cento), só depois aparecem os interlocutores profissionais (58 por cento) e os patrões (57 por cento). Da lista das mentiras mais comuns entre as mulheres, retenho algumas: "Estes sapatos só me custaram 10 libras" ; "O autocarro [ou comboio] estava atrasado"; "Estou com dor de cabeça"; "Já meti o cheque no correio"; "És fantástico na cama"; "Amo-te".

Resolução de problemas

PROBLEMA 382. A resolução de problemas implica fazer perguntas: como pode este problema ser dividido em sub problemas mais fáceis? Os sub problemas são submetidos à mesma análise. O número de problemas aumenta, mas cada um deles é mais simples. Um sub problema pode ser mais difícil que o problema original. Nesse caso é necessário recomeçar.

Avariado

PROBLEMA 381. Uma avaria eléctrica, hoje de manhã, num semáforo para peões agravou a minha constipação. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete……..quinze (pus-me a contar os carros que iam passando) dezasseis, dezassete……vinte e cinco (entretanto começou a chover e eu sem chapéu de chuva!)…..trinta e sete…..quarenta e oito…..cinquenta e nove...setenta e dois... Sinal verde! Atchim!

12.12.04

A introdução de variáveis

PROBLEMA 379. O simples facto de andar muito a pé transformou o meu caminhar numa aprendizagem. Por exemplo, fiquei a saber que as ruas têm uma espécie de moralidade que eu desconhecia. Mesmo que me perca, ou chegue a um beco sem saída, como as ruas comunicam entre elas há sempre uma solução politicamente correcta. O pior é quando, como hoje, me deparei com a introdução de uma variável que alterou a lógica desta moralidade. Um cão enorme abeirou-se de mim, olhou-me com olhos de bandido do far-west e começou a ladrar para mim intensamente mostrando uns dentes ameaçadores. Já não havia mais ruas que me salvassem. Pensei que o mundo ia acabar ali. Veio-me à mente aquela passagem de “Macbeth”, de Shakespeare:
“Tivesse eu sucumbido uma hora antes
Deste momento e dera por ditoso
O meu tempo na terra; mas agora,
A partir deste instante, nada sério
Depararei na vã mortalidade.
Tudo é futilidade: honra e renome
Estão mortos; o vinho da existência
Esgotou-se até à borra e só lhe resta
Borra a esta triste adega.”
A minha safa foi a introdução de uma variável nesta lógica de terror: um rato que passava por perto distraiu o monstro que rapidamente se esqueceu de mim e foi atrás dele. Não sei se para a próxima tenho tanta sorte.

PROBLEMA 380. Tenho, isso sim, um talismã que me ajuda a conseguir coisas. Guardo-o na minha carteira. Mas hoje, que dia mais estranho, desapareceu! Terei-o perdido? Estou em pânico. Não deixo de imaginar as coisas que poderei perder.
- Não tens idade para acreditar nessas coisas de talismã.
- O problema é que, se calhar, já não tenho idade para recuperar as coisas que fui perdendo e me ajudavam a conseguir coisas.

11.12.04

Portugal

PROBLEMA 378. Encolher os ombros perante os problemas deste país é uma característica dos portugueses. Comer e beber bem e falar mal dos outros. A especialidade de ser português. Falta Mundo a Portugal.

Eleições antecipadas

PROBLEMA 377. Atenção. Anda por aí um transeunte distraído a ler “O Príncipe” de Maquiavel enquanto calcorreia as calçadas alfacinhas. Já foi visto em várias ruas de Lisboa. Às páginas tantas, corre perigo de vida o automobilista que o atropelar.

10.12.04

O peru, as galinhas e as vacas

PROBLEMA 375. A celebração tinha algo de selvagem mas não deixava de apreciar o espectáculo. A morte de uma ave galinácea, doméstica, portadora de uma grande cauda, originária da América e muito apreciada em culinária - vocês sabem do que estou a falar. Primeiro apareceu lá em casa, embrulhado, amarrado, depois meteram-no na banheira e fecharam a porta da casa de banho. Só o ouvia grugulejar. Parece que o enfrascavam com aguardente antes da facada letal. Mas naquela dia algo de extraordinário acabaria por acontecer. Conseguiu fugir, e mesmo sem cabeça, correu pela casa toda derramando sangue pelo corredor. Estou em pânico, uma das minhas filhas, depois de ouvir esta história, anda a pedir-me para eu comprar um dito cujo,vivo, lá para casa.

PROBLEMA 376. Se considerarmos que o genoma é um livro cheio de letras, o número de páginas ocupado pelo das galinhas seria três vezes menor que o humano. Mas, em número de genes, ou seja, de palavras com sentido nessa longa sequência de letras químicas, é bastante semelhante: calcula-se que a galinha tenha entre 20.000 e 23.000, enquanto os seres humanos terão entre 20.000 e 25.000 genes. Ou seja, somos mais parecidos com as aves do que se poderia pensar. Realmente, parecemos galinhas a correr de um lado para o outro neste período de Natal em que até as vacas se passeiam pela auto-estrada.

9.12.04

Frio de rachar

PROBLEMA 374. Laringite, faringite, gripe, constipação, cieiro, reumático...

A espinha na garganta

PROBLEMA 373. Centenas de fissuras nos túneis do sistema nervoso central estiveram na origem da fuga dos sinais de pontuação. O sistema foi entretanto restabelecido e os programas processam-se de forma aparentemente correcta. Tenho é agora uma espinha na garganta. O meu anjo da guarda, que encontrei hoje de manhã na praça, ao pé da peixaria, recomendou-me que mergulhe rapidamente os pés em água fria - pode ser com a temperatura com que a água destes últimos dias sai da torneira - devendo mantê-los mergulhados até a espinha se desprender da garganta. Estou cá a pensar para os meus botões se devo seguir os conselhos do meu anjo da guarda...

8.12.04

A mosca

PROBLEMA 372 A minha experiência pioneira com a morte de que me lembro foi aos três anos quando matei a primeira mosca os problemas começaram aí julguei que podia ser preso não disse nada a ninguém e escondi a mosca numa caixinha passados estes anos todos esqueci-me o que fiz à caixinha

p s continuo sem pontuação vou ter de pedir um parecer ao banco da gramática portuguesa para me avançar com um empréstimo de forma a que tudo volte à normalidade

Ponto final

PROBLEMA 371 isto de ficar sem ponto final é um problema mais grave do que julgava não sei se foi uma conspiração mas a verdade é que agora está mais longe o dia em que me verei livre dos meus problemas sonhava colocar um ponto no final de um determinado período de experiência da minha vida para indicar que o sentido está completo devendo por isso fazer uma pausa mais demorada mas eis senão quando fiquei sem ponto final e o mundo sem ponto final é uma canseira isto está a ser um desastre comparável ao desaparecimento de qualquer espécie viva não é por nada mas estou aqui a pensar se o ponto final não terá fugido e levado com ele os outros sinais de pontuação

7.12.04

Há problemas que se vivem em silêncio

PROBLEMA 369. Cada qual tem um problema para contar a quem se senta à mesa. Venho de uma mesa dessas.

PROBLEMA 370. Sou propenso a silêncios capazes de durarem (para que conste acabei de ficar sem ponto final)

6.12.04

O cacifo e a sopa

PROBLEMA 367. Há um cacifo algures numa estação de comboio onde Pauris guarda poemas, histórias, ensaios, notas de diário, epigramas, meditações autobiográficas... Esqueceu-se do número do cacifo. E perdeu as chaves. E agora? A maior parte dessa extensa obra foi escrita no comboio, onde travou constantes batalhas contra os olhares curiosos, o cheiro a suor e perfume rasca, mas sobretudo contra colocar em palavras o pensamento dele. Um modo de viver não muito satisfatório. Pauris tem uma garrafa vazia pela frente e confessou, algures: “chumbei no exame de aptidão a este mundo”

PROBLEMA 368. Decidiu gritar a raiva face ao estado das coisas: “Disseram-me que a vida é para pegar pelos cornos do touro. O que eu não sabia é que isso era um pretexto para obrigar a comer a sopa toda."

5.12.04

Frio

PROBLEMA 365. Com a devida vénia: “Não somos pura e simplesmente a pessoa que toda a gente pensa que somos”. Bob Dylan, entrevistado por Ed Bradley, ao programa “60 Minutes” da CBS.

PROBLEMA 366. Tenho os pés frios, um problema recorrente nos invernos da minha vida. O que não sabia é que tinha uma moeda de um euro dentro do sapato. Andei o dia todo a dizer que andava com cãibras nos pés. Afinal, o problema era outro…

4.12.04

As guerras que travamos

PROBLEMA 361. Uma nuvem passou e o lago não se encheu. O lago continuou vazio. A nuvem não chorou. As crianças não podiam nadar e começaram a chorar. O lago encheu-se com a água das lágrimas das crianças. João nadou para longe e perdeu o pé. Morreu afogado. Os familiares e os amigos choraram a perda do João. O lago transbordou e inundou a aldeia.

PROBLEMA 362. O cão, o gato, o leopardo, a tartaruga estão reconciliados com a natureza, mas é da natureza do género humano travar guerras com ele próprio. Guerras que vão e vêm tão esquecidas são depressa.

PROBLEMA 363. Porque adormecem as pessoas nos comboios, pergunta a Mariana ao pai.

PROBLEMA 364. O vento hoje sopra de outra forma, o sol e a chuva estão diferentes. Um parece mais cansado, a outra bate mais leve. Bem me queria parecer que hoje está tudo ligeiramente diferente. Pisei cocó de cão num passeio novo.



3.12.04

Preconceitos

PROBLEMA 358. Conceitos formados antecipadamente criam problemas. Os mais velhos, por exemplo, legaram-me uma receita de engano. A sabedoria da idade.

PROBLEMA 359. Já me falaram também da serenidade outonal, mas que dizer das folhas que vão caindo por estes dias nos passeios e entopem os esgotos. E da chuva que bate forte e dos ventos que sopram sem piedade. Tenho a minha rua alagada de lama.

PROBLEMA 360. E se a alma sai do corpo depois da morte então os funerais são os funerais de ninguém. Porque não há ninguém para enterrar.
P.S. Alma e lama escrevem-se com as mesmas letras...

2.12.04

A banana e as filhós

PROBLEMA 356. Encontrei o meu anjo da guarda na praça, logo pela manhã. Veio-me com a história que as bananas são a melhor coisa que há para a depressão. “Comer ½ banana por dia ajuda. A banana contém um aminoácido muito importante para o sistema nervoso central, que nos mantém alegres e com vitalidade”. Lembrei-me logo das duas bananas que tenho lá em casa a apodrecer.

PROBLEMA 357. Uma gralha numa palavra criou uma confusão grave num café em Campo de Ourique. Na porta de entrada podia-se ler “Já temos filhos”.

1.12.04

Tricô

PROBLEMA 354. Quando se nasce está-se lixado à partida. Tornamo-nos sujeitos ao tempo e à morte. E ainda temos no meio da caminhada que ouvir: “Fazes falta? Ninguém faz falta.”

PROBLEMA 355. Um homem a fazer tricô não é habitual. Hoje, no comboio, quando levantei a cabeça do livro que estou a ler, emprestado pela senhora minha mãe – "O Deus das pequenas coisas" - reparei num rapaz de 30 e tal anos muito concentrado no trabalho com agulhas e novelos de lã. Mais à frente, uma senhora de meia-idade fazia o mesmo. Há algo de estranho nisto tudo. Ou será em mim?