31.3.05

Hoje estou assim (12)

PROBLEMA 575. CAPAFOLHA

30.3.05

A mentira

PROBLEMA 574. Nos becos da cidade encontro multidões de almas cheias de medo entregues aos próprios desejos carnais. Ninguém confessa os erros. É mais fácil mentir!

29.3.05

Ferrugem

PROBLEMA 573. Deu-me a saudade: a oficina de serralharia do meu avô materno no Furadouro. Talvez tenha a ver com o facto de me sentir enferrujado.

O mar

PROBLEMA 572.
- Isto pertence ao mar. Aquela falésia, quem a fez foi o mar. Um dia que ele queira ir lá buscar o que é dele, não há nada a fazer.

28.3.05

Desabafos

PROBLEMA 571. Bastou andar um pouco na rua, entrar num café e num restaurante e estar atento para ouvir alguns desabafos que encerram problemas: "O mundo está mal projectado, mal construído"; "Qual quê, isto mais parece um hipermercado em falência"; "Uma esmola, por favor. Ajude-me a morrer!"; "Há dias em que não me apetece aquecer o entre pernas da minha companheira"; "Não é preciso ir à Lua para recomeçar tudo de novo."

Gás

PROBLEMA 570. Cheirava a gás, a gordura de batatas fritas, a humidade, enfim a medo. Abri as janelas temendo o pior. Imaginei sentir tonturas, as pernas fracas, olhos semicerrados, cabeça tonta, não conseguir adormecer, ouvir o som dos carros a passar, uma gargalhada tardia, um cão a ladrar, o silêncio a tardar….

Espelho

PROBLEMA 569. Diz-me espelho meu, que tens hoje para me dizer? “Alguns anos para ti são apenas dias. Tu nunca envelheces. Estás exactamente como quando te conheci. Às vezes até suspeito que tu já não sejas tu. Chego-me a perguntar se não serás outro”
(Alexandre Pinheiro Torres)

27.3.05

Hoje estou assim (11)

PROBLEMA 568. MillenniumProblems
Haverá alguma relação com o facto de ter-me esquecido de adiantar a hora?

O mesmo

PROBLEMA 567.
- Não és o mesmo.
- Nunca fui o mesmo. O mesmo nunca existiu.

26.3.05

Mais ou menos

PROBLEMA 564. Primeiro é a tentativa de alinhamento de alguns gafanhotos e riscos, depois alguma coisa começa a ganhar sentido, de seguida prego os textos num pequeno baú electrónico a que dão o nome sumptuoso de blog. Isto de escrever de forma tão pessoal põem-me a nu, faz com todos compreendam o que realmente sinto, ou acham que compreendem o que sinto. Mas querem saber uma coisa? Pressinto que sou para o exterior uma coisa, outra no meu interior. Feito de traços e rabiscos, mas qual deles o verdadeiro? Nenhum, temo.

PROBLEMA 565. Vou vivendo. Cá se vai andando. As coisas estão mais ou menos. Mais ou menos é o jeito esquisito de ir sendo português nos tempos que correm.

PROBLEMA 566. Cresce a vontade de impor a mim próprio um longo período de silêncio.

25.3.05

A voz da consciência ( 9)

PROBLEMA 563. "Quanto mais se enterram os diamantes mais se decide o pirata a roubá-los"

24.3.05

Trabalho

PROBLEMA 562.
- Chefe, hoje não vou trabalhar.
- Então, pá? Estás doente?
- Não! Não é isso...o problema é que sinto-me muito bem. É melhor não ir.

Os barcos

PROBLEMA 561. Se um optimista é um farol, um pessimista é um barco perdido de noite no mar. Um pessimista optimista é um barco perdido de noite mas que tem de esperar pelo clarear do dia para reencontrar o caminho até ao cais.

23.3.05

Viagem de comboio

PROBLEMA 558. Entre a estação de partida e o destino há um comboio que todos os dias corre riscos desnecessários.

PROBLEMA 559. Ainda não houve um dia em que o número de batidas do meu coração seja o mesmo num determinado percurso diário.

PROBLEMA 560. É impressão minha ou os bois e as vacas passaram a mugir menos?

22.3.05

A voz da consciência (8)

PROBLEMA 557. “O grande Homem não é aquele que resolve com naturalidade as coisas mais difíceis da vida, é aquele que torna interessante a situação mais banal do quotidiano”.

Batatas fritas Pála-Pála

PROBLEMA 556. De regresso a Lisboa, a amargura de não ter chegado a tempo de ver o Sporting, parece que podia ter sido ainda melhor, uma vitória mais folgada, mas o que não me vou mesmo perdoar é ter entrado no supermercado, vi um pacote de batatas fritas Pála-Pála, elas estão de volta!, essas mesmo que têm um boneco catita, só falta a Laranjina C!, vi também as bolachas Maria e lembrei-me da versão “monstro das bolachas”, lembram-se?, aquele que dizia “bolachas, bolachinhas” e as comia às mãos-cheias, mais à frente deparei-me com o dvd dos "Pequenos Vagabundos", enfim, estou com um problema, se hei-de repetir experiências passadas ou preservar a recordação.

21.3.05

O Tempo

555. Retido no aeroporto de Praga, encontrei uma loja onde estou a escrever estas linhas. Já não vou chegar a tempo de ver o jogo do Sporting. O tempo aperta. Foi um erro ter vindo, mas agora não há nada a fazer. sábado

20.3.05

A janela, o café e os amigos de Praga

PROBLEMA 552. A janela do quarto onde Kafka dormia e sonhava em criança está virado para uma Igreja. Fez-me recordar a janela do quarto onde dormia e sonhava em criança, em Campo de Ourique. Está virado para a Igreja de Santo Condestável. O mundo é tão pequeno.

PROBLEMA 553. Evitei beber café nesta minha estadia em Praga. Café em checo diz-se “kavárna”. Que coisa assustadora. Parece cavar ou caverna. Agora percebo o que me acontece quando bebo muitos cafés. Sinto-me como se me estivessem a abrir ou revolver a terra com a enxada ou a entrar numa gruta profunda e medonha.

PROBLEMA 554. “Os meus amigos de Praga compreendem-me”, disse um dia Mozart, mas eu não sei se aqueles que me andaram a distribuir folhetos todo o dia a informarem-me dos espectáculos de música, teatro ou dança que estão em exibição em Praga compreendem que o que eu queria era notícias do livro que deixei por esquecimento no café. Volto amanhã para Lisboa de mãos a abanar e não sei se a tempo de ver o jogo do Sporting. O mundo, às vezes, é pequeno mas nem sempre joga do nosso lado.

19.3.05

Labirinto

PROBLEMA 551. É fácil perder-me em Praga. A cidade é um labirinto. Um emaranhado de ruas sinuosas. Eu também sou um enleio, composto por vários caminhos interligados tornando difícil encontrar a única saída. Reconheci a Igreja de S.Nicolau para aí umas cinco vezes e fui desembocar ao rio outras tantas. Até que finalmente dei com o café. Só que o livro, afinal, não estava lá. Alguém já o teria levado. Fiz uma viagem tão longa para nada. Apoderou-se de mim o desânimo. Resolvi não desistir. Talvez o encontrasse. Onde, não sei. Percorri locais misteriosos de vielas tortuosas e jardins secretos dissimulados por muros altos em busca do livro, tinha os ouvidos à escuta e chamou-me a atenção o som que vinha de uma janela aberta. Era a música de Bach. Mas do livro, nada. Extenuado, entrei num café no centro de Praga. Nas paredes, os retratos de todos os ditadores do mundo. Provei a aguardente de ameixa (a "slivovice"), dizem que é um remédio que cura todos os males. Do livro, continuava sem ter notícias. Voltei a galgar os becos de Praga. Vi engolidores de espadas, grupos de jazz. A arte de manipular as marionetas é estudada na Universidade e nas ruas de Praga é raro o dia em que não se dá de caras com um espectáculo de rua. Elas são duendes, bruxas, soldados, vilãos. Olha, começou a chover por aqui. Vou para o hotel. Estou cansado. Amanhã ainda procuro o livro. É o meu último dia.

18.3.05

O povo

PROBLEMA 550.
"Eu sei que não nos devemos baldar, mas depois de não sei quantos meses de Inverno, os primeiros dias de calor são sempre uma loucura, não se consegue estar fechado dentro de quatro paredes, ainda para mais quando a universidade fica logo junto à praia”

"Pelo menos aproveito as rasteiras que a vida me pregou para poder ficar de papo para o ar, a apanhar sol em dias como este. Qualquer dia aproveito e começo a vender gelados na praia e junto o útil ao agradável”

"Estes dias assim fora de época são uma maravilha para o negócio. Os agricultores podem-se queixar da seca, mas eles ainda vão tendo os subsídios, agora eu, se não tenho sol e calor não tenho ninguém no restaurante. Se Deus for grande vamos ter aí uns fins-de-semana em beleza e uma Páscoa em cheio, com a praia a abarrotar de gente e o meu peixinho a sair."

"Quando era gaiato, tínhamos as estações do ano bem definidas, Inverno era Inverno, Verão era Verão e assim por diante. Agora não, anda tudo trocado e a culpa é dos desodorizantes que fazem buracos no céu e o calor chega à terra antes do tempo devido. Deus me dê saúde e ainda vou ver a nevar em Agosto."


P.S. Amanhã prometo novas dos meus problemas desde Praga. Assim corra tudo bem com a viagem.

Praga

PROBLEMA 549. Vou ali (a Praga) e volto já. Deixei os diários de Kafka no café. Como não chove, à falta de chapéus de chuva esqueço-me dos livros nos cafés por onde atraco. Espero estar de volta na segunda-feira a tempo de ver o meu Sporting. kafkacafe

A voz da consciência (7)

PROBLEMA 548. “Porque não confias em ti? Sabes mais do que julgas saber”.

17.3.05

A vida num dicionário

PROBLEMA 547. Os dicionários são um romance disfarçado. A gente vai à procura de uma palavra e ela conduz-nos a outra e assim sucessivamente num jogo que me deixa aturdido. Por exemplo, a palavra vida pode levar-me muito longe. Mas acabo sempre dominado pela dúvida e pela confusão.

O estendal

PROBLEMA 546. Estiquei a corda na varanda para servir de estendal. Estiquei a corda e ela não dá mostras de fraquejar ao peso da roupa. Descanso o corpo na cama vítima de um dia conflituoso. Dei mostras de fraquejar.

16.3.05

Hoje estou assim (10)

PROBLEMA 545. jn1sm

O sistema avariou

PROBLEMA 544. Não lhe posso fazer nada porque o sistema avariou. O sistema? Um gajo vai à TV Cabo pedir um serviço novo e o sistema resolve parar. Está porreiro isto. Mas a malta quer é divertir-se. Pedem-me que escreva uma carta a explicar o que pretendo e a envie por fax. Belo, agora dei em especialista de romances da TV Cabo. Talvez coloque um pouco de drama, não, não, devo redigir um texto acima de qualquer suspeita, neo-realista, ir direito ao assunto e dizer o que quero. Via fax? Tão impessoal , não seria melhor tratar do assunto directamente? Não tenho saída. É mesmo por fax. Ir aos correios, tirar a senha, aguardar. O problema é quando, quando é que o problema fica resolvido. Entretanto, medito, sim, porque enquanto espero, um gajo tem de fazer alguma coisa, deu-me para pensar. Mas a vida tem destas coisas e dá sempre um passo em frente em relação ao que planeamos fazer. Como o que me aconteceu com a inspecção do gás. Três horas à espera, um telefonema para a companhia a refilar e de repente a campainha de casa a tocar. Quem era? A vistoria do gás. Quanto à TV Cabo, só me resta esperar. Mas enquanto espero, um gajo não pode só pensar, observo então o senhor do restaurante em frente a colocar as mesas e as cadeiras cá fora. Uma a uma. Dezoito ao todo, contei eu. Depois começou a chover e ele recolheu tudo outra vez. O sistema avariou. Não há mesmo nada a fazer. Senão esperar.

Os livros

PROBLEMA 543. Os livros que anseio reler são aqueles que povoaram a minha infância e adolescência, histórias de corsários e tesouros, viagens ao fim do mundo. Eles continuam na prateleira de madeira róida pelo tempo. À minha espera. Mas a minha vida deu tantas voltas que temo o reencontro.

15.3.05

A vida

PROBLEMA 542 . Não sei do que se trata. Talvez seja da expressão do rosto, parece saído de um livro de Kafka, do Processo calculo, ou do sável frito com açorda que comeu hoje. No meio de tantos problemas para resolver esqueceu-se de escrever sobre eles. Mal ele sabe que a vida estará sempre um passo à frente da última palavra, da última ideia, que escrever.

14.3.05

Relógio

PROBLEMA 540. Acordei como se estivesse no Japão, na Nova Zelândia ou na Austrália. Fiquei baralhado com as horas.

PROBLEMA 541. Já não sei quem sou, se o que a minha cabeça diz ou que a minha cabeça me diz.

13.3.05

Cadeia de acontecimentos

PROBLEMA 539. Fui ao funeral de Pauris. Escolheu o epitáfio seguinte para a lápide dele:
“Morrer sem deixar a lembrança
em nenhum coração, em nenhum pensamento
Morrer tão completamente
que um dia ao lerem o meu nome num papel
perguntem: “Quem foi?...”
Morrer mais completamente ainda: sem deixar esse nome”.
Chego a casa e leio num jornal: "À velocidade a que os jornais estão a perder circulação, o último leitor deverá desaparecer em 2040. Em Abril, para ser exacto".
O homem que punha gasolina nos carros tira agora bicas ao balcão.
Finalmente, ligo a televisão e o que vejo é que não há mais que areias varridas pelos ventos escaldantes do deserto onde vivem apenas chacais e abutres. Antes erguiam-se cidades. Hoje, o silêncio.

12.3.05

Hoje estou assim (9)

PROBLEMA 538. birds

Os golfinhos

PROBLEMA 537. Os golfinhos quando chegam perto da costa têm alguma debilidade, não conseguindo na maior parte dos casos resistir, acabando por dar à costa ou nas rochas sem vida. Há dias, como o de hoje, em que me acontece o mesmo. Em que o melhor era continuar no alto mar dos meus problemas.

Crise de identidade

PROBLEMA 535.
- Está lá?
- Não, estou aqui. E aí, quem é?
- Tou?
- Eu tou.
- Quem fala?
- Isso pergunto eu.
-Tá?
- Não tá nada. Quem fala?
- ...

PROBLEMA 536. Não estar estando.

11.3.05

As hortaliças e os casacos

PROBLEMA 534.
- Ai, não vamos ter hortaliças.
- E algumas frutas também...
- Vai ser um ano bom é para o azeite...
- ...se chover um bocadinho.
- Ontem fiquei tão satisfeita quando começou a chover. Mas olha para hoje...
- Pois é. Está uma aragem fria, apesar do sol. Que seca, este tempo!
- É, tá complicado para deixar os casacos.

10.3.05

A chuva

PROBLEMA 533. Está a chover. Uma chuva miudinha, mas eu gosto. Já estava com saudades. De andar na rua e ver o trânsito engarrafado. Dá-me gozo. Das luzes da cidade ao princípio da noite e uma chuva fina a cair. Dá-me gozo. Só espero é que não comece a chover muito. Só essa hipótese deixa-me aflito. Sou muito propenso a perder chapéus de chuva.

Hoje estou assim (8)

PROBLEMA 532. discos_capa4
"eu não sou cristão eu não sou ateu não sou japa não sou chicano não sou europeu eu não sou negão eu não sou judeu não sou do samba nem sou do rock minha tribo sou eu eu não sou playboy eu não sou plebeu não sou hippie hype skinhead nazi fariseu a terra se move falou galileu não sou maluco nem sou careta minha tribo sou eu"
(Zeca Baleiro)

A viagem e os golfinhos

PROBLEMA 530. A viagem das 23.31 com destino a Tomar e paragem em Alverca é a da minha preferência. Não sei bem explicar porquê. Tem a ver com a mesma sensação que tenho quando chego a um país estrangeiro e começo a achar que tudo me é intímo. Pode ser que seja das pessoas – algumas caras já me são familiares – ,do cheiro a corpos cansados. Não sei. Pode ser que um dia descubra. Não será melhor ficar com a dúvida para sempre?

PROBLEMA 531. Oito golfinhos mortos deram à costa nas praias de Peniche nas últimas duas semanas. Não é só em terra que as coisas andam agitadas.

Homem moderno

PROBLEMA 529. “A tragédia do homem moderno não consiste no facto de ele saber realmente cada vez menos sobre o sentido da própria vida, mas no facto de isso o preocupar cada vez menos…”
(Vaclav Havel)

9.3.05

Monopoly

PROBLEMA 528. Acho que vou perder. Já passei ene vezes pela Casa da Partida, recebi o respectivo dinheiro mas os poucos prédios e hóteis que tenho não me dão para usufruir de uma quantia muito elevada em rendas. E as contas para pagar multiplicam-se. É a companhia da electricidade, da água, as estações de comboio, a Rua do Rossio. E depois não tenho sorte nenhuma com os cartões da Sorte e da Caixa da Comunidade. Estou sempre a ir parar à Cadeia. Quem me manda a mim jogar sozinho ao Monopoly. Vou mas é regressar aos meus puzzles.

A voz da consciência (6)

PROBLEMA 527. “Não fiques deitado até tão tarde. Isso faz-te mal.”

8.3.05

O Estado, Schakespeare e os peixes

PROBLEMA 524. A Natureza nunca se regeu pelas leis do Estado. A Natureza nunca se enganou. Eu vou-me enganando.

PROBLEMA 525. Há mais dramas do que aqueles que foram sonhados por Schakespeare.

PROBLEMA 526. Eram tantos peixes que eu nem sabia para onde me virar. Um mundo ali à minha frente. E não era nenhum aquário, nenhum museu, nem o Oceanário nem o aquário Vasco da Gama.

7.3.05

Frívolo

PROBLEMA 523. “Oh gaja então? Tens andado muito ocupada? Temos de colocar a cosquice em dia”. Desligou o telemóvel. Tirou um creme da mala com os dedos finos e delicados. As unhas pintadas a roxo provocam. Passou o creme pelas mãos. Cheirava a amêndoa. Levantou-se. Reparei que tinha a meia de seda rota e saiu na primeira paragem do comboio. Esqueceu-se da caixa do creme no banco.

Castanhas

PROBLEMA 522. Descobri que este ano não estou a comer tantas castanhas como de costume. Só espero que quando chegar o tempo deles não aconteça o mesmo com os caracóis.

6.3.05

Hoje estou assim (7)

PROBLEMA 521.9250

5.3.05

Vizinhos

PROBLEMA 520. "Os meus vizinhos sabem sempre quando puxo o autoclismo, eu sei quando é que a vizinha de cima faz sexo com o marido, quando é que a do lado toma duche, quando a de baixo muda de canal" (hoje de manhã no café onde custumo ir acordar)

4.3.05

A crise e as lojas

PROBLEMA 518. A palavra crise em chinês é constituida dos caracteres “perigo” e “oportunidade”.

PROBLEMA 519. Reparei que hoje a maior parte das lojas do bairro estão fechadas para remodelação. Mau sinal. Para mim. É que quando reabrem fico sempre com a sensação de
que gostava mais como estavam.

3.3.05

A voz da consciência (5)

PROBLEMA 517. mistrial
Se sentires tanta raiva dentro de ti
Que nem consegues raciocinar
Desabafa
Se ficares tão furioso
Que nem consegues falar
Desabafa

Se te fizerem a cama no trabalho
Desabafa
Se um táxi quase te atropelar
Desabafa

(Mistrial, 1986, Lou Reed)

Sem

PROBLEMA 515. Voltei a ser um número. Recuperei o meu telemóvel perdido. Hoje voltei a reconhecer vozes que já não ouvia há algum tempo. Uma estranha sensação de incomodidade apoderou-se de mim. Será que já só sou apenas um número?

PROBLEMA 516. O meu número de telemóvel é

Esperei. E voltei a dizer: o meu número de telemóvel é

Um imprudente lapso de memória deixou-me

Que está a acontecer hoje comigo?

A tecla do computador

PROBLEMA 514. Pode ser apenas temporário, mas estou sem saída. Fiquei sem a tecla "esc" do computador.

2.3.05

Março

PROBLEMA 513. Eu que sou um marciano – é assim que se diz das pessoas nascidas em Março, não é? - retirei dois problemas dos ensinamentos de um texto do dito mês da Agenda Assírio & Alvim de 1997.

1)"Março, Marçagão de manhã Inverno, à tarde verão. Ou Março Marçagão de manhã cara de anjo, à noite cara de ladrão. Mês malandro, engrossado pelas chuvas e abanado pelos ventos. A natureza torna-se formidavelmente explosiva.”

problema: Isto sou eu!

2) “Não maldigas a chuva, ó citadino, Ela traz a fecundidade e as sementes esperam por cada gota como uma benção que junte a terra e o céu."

problema: sou um dos responsáveis pela vaga de frio.

Em obras

PROBLEMA 512. Inauguração das obras de ampliação, remodelação e cobertura da alma do próprio, aos dois dias do terceiro mês do ano de dois mil e cinco. Não há data prevista para a conclusão das mesmas.

1.3.05

O frio

PROBLEMA 510. Está tanto frio hoje que a torneira não deita água quente.

PROBLEMA 511. Que relação haverá entre o meu calcanhar de Aquiles (um calo no calcanhar do pé direito), a minha alma e o frio que se faz sentir lá fora?