30.6.05

Real virtual

PROBLEMA 700. Minhas senhoras e meus senhores apresento-vos o ´voyeurista urbano´, o grande artista. Olha pelo buraco da fechadura e já não vê a realidade mas sim a fantasia que projecta sobre ela. É o triunfo do virtual sobre o real. Basta ligar a televisão ou aceder a um chat.
É um espectáculo!

Conto de fadas

PROBLEMA 699. Estava a precisar hoje de qualquer coisa parecida com um conto de fadas. Já sei o que estão a pensar. Mas que querem. Também há problemas destes. Um gajo acordar estúpido.

29.6.05

Charada

PROBLEMA 698. Um estranho acontecimento transformou a vida em Kastinova. As pessoas deixaram de ver televisão. Que acontecimento foi esse?

28.6.05

Hoje estou assim (18 )

PROBLEMA 697.
LON31811

27.6.05

Teste

PROBLEMA 696. Com quem me sentei ao lado hoje de manhã no comboio?
a) com um cinquentão a tentar resolver problemas de trigonometria
b) com um jovem universitário a ler "como ser hipercompetitivo"
c) com um aldeão a tentar afiar a faca para descascar uma maçã

26.6.05

problemático

PROBLEMA 695. Ando a ver se começo a ver-me livre dos meus problemas...Mas como nunca fui muito bom a resolver problemas...isto não anda nada bem, só pode ser.

25.6.05

O metro (esclarecimento)

PROBLEMA 694. Perder-me em Lisboa, no metro? Pas possible, responde-me a Elisa. E fala-me de Londres, Paris...ai sim. Sabes, estava tão cansado dos ritmos "doutra dança" que a cegueira da razão me apanhou. E então tudo pode ser aquilo que não é. Em Lisboa, em Alverca ou em Fanhões, em Paris ou Londres.

O segredo

PROBLEMA 693. Tenho o segredo do Universo comigo. Um silêncio que me impõe a obrigação de não o revelar.

24.6.05

A lavandaria e o metro

PROBLEMA 691.
- Essa camisa que traz hoje fui eu que a passei.
-... (sorriso)
- Mas as calças...
-... (corado)

PROBLEMA 692. Linha verde. Acho que sim. Não! Linha amarela, então. Voltar atrás, portanto. Acontece que, afinal, parece que é a linha azul. Não! Linha vermelha.. Bolas, ando perdido no metro muitos anos depois.

23.6.05

Amnésia

PROBLEMA 690. Recebi uma carta ameaçadora da Biblioteca Municipal. Se não entregar até amanhã o livro, pago uma multa. "Vimos por este meio lembrar-lhe que, certamente, por esquecimento, ainda não devolveu...". O problema é que foi mesmo por esquecimento que ainda tenho comigo a "memória de um amnésico", de Erik Satie...

22.6.05

Sonhar

PROBLEMA 689. Estou a atravessar uma fase de criatividade infantil. Correr riscos não sabendo que estou a correr riscos. Vocês nem imaginam o que já fiz hoje. Um risco no céu que atravessa todo o firmamento que o meu olhar capta. Como nunca nenhum avião conseguiu fazer. Ai quando eu acordar!

Solidão tecno

PROBLEMA 688.
- Pode-me verificar se tenho alguma mensagem no telemóvel. Não percebo nada disto...
- Não tem nenhuma.
- ...a minha filha está no Brasil e ficou de me ligar.

21.6.05

Apagão

PROBLEMA 687. Estranho, não estava aqui um problema? Desapareceu...não me lembro de o ter apagado. Estranho...

20.6.05

O bife

PROBLEMA 686. Eu não quero que tu vejas o bife que acabou de sair da frigideira, tu não estás preparada para ouvir o barulho das minhas palavras para explicar porque é que o bife saiu assim da frigideira.

19.6.05

Labirinto

PROBLEMA 685. Por onde andarão os meus problemas hoje? À flor da pele dos outros? Da minha? Tanto eu como eles metemo-nos por um labirinto e de lá não conseguimos sair.

18.6.05

Hoje estou assim (17)

PROBLEMA 684. ant_musculo

17.6.05

A margarina

PROBLEMA 683.
"Quanto tempo falta ainda? Uns cinco minutos. Mas primeiro deita-lhe mais uma colher de margarina Vaqueiro. Quero que o peixe fique bem apurado. Cheira tão bem. Está tão douradinho! Pois é, Nita. A margarina Vaqueiro é maravilhosa para cozinhar o peixe. Deixa-o gostoso, suculento. A margarina Vaqueiro torna tudo mais apetitoso."

P.S. Deixei, por esquecimento, a margarina fora do frigorífico. Estou assim: as palavras derretidas, o pensamento desata-se a separar, a desarticular por meio do calor...

16.6.05

Estado de espírito

PROBLEMA 682. Estou naqueles dias em que a minha vida assenta sobre uma carcaça de tartaruga.

Nariz

PROBLEMA 681. Fazer festas num nariz fininho com o meu nariz grosso

15.6.05

A peça

PROBLEMA 680. Já não sei como me chamo tão variados os nomes que me foram atribuidos. Desempenho vários papéis na peça da vida. Como se a minha vida fosse uma rede de nós.

14.6.05

O olhar dos outros

PROBLEMA 679. Passei de Chopin a nadador-salvador, só porque cortei o cabelo.

13.6.05

Hoje estou assim (16)

PROBLEMA 678. sombra

12.6.05

As rotinas do coração

PROBLEMA 675. O meu coração não quer dinheiro, não quer fazer contas à vida, não quer isso seja o que isso for, não quer ponto final. O meu coração quer poesia, quer fazer de conta. O resto é supermercado.
PROBLEMA 676. As pessoas são dadas a rotinas porque hoje é domigo e amanhã é segunda-feira e depois terça, quarta, quinta, sexta e sábado e ...
PROBLEMA 677. Há palavras, histórias que naufragaram em mim. De quando em vez, algumas sobem à superfície, outras permanecem no fundo do meu ser. É dos restos dessa voz que ainda hoje procuro.

11.6.05

Vírus

PROBLEMA 674. Um vírus tomou conta do meu blog. Que criaturas são estas?!Olá, sou a Ana Pinto. Tenho 28 anos. Psicóloga de coração. Publicitária de profissão. Sou uma concha em alguns momentos, mais expansiva noutras ocasiões. Gosto de falar, sou sentimental, sensível, chorona, romântica incorrigível. Medrosa e corajosa , na mesma proporção. Depende das situações. Apaixono-me com facilidade. Já vivi grandes paixões. Amor, acho que nenhum. Acredito no ser humano. E em energia espiritual. E se amanhã me arrepender de tudo o que disse? Chamo-me Ricardo Magoito, e sou assim. Sou director de uma empresa de parafusos. Tenho 33 anos, sou separado [será que era para contar isso?], um filho, uma faculdade incompleta e muita coisa planeada mas longe de se realizar. A verdade é que gosto de viver o dia-a-dia, moro numa cidade que não é a minha, sinto falta do mar, mas dá para comprar o jornal todos os dias e ficar na esplanada à procura de alguma coisa que valha a pena. Olá, sou a Paula Ventre. No Bilhete de Identidade tenho 42 anos. Adoro dança. Não sei se por causa do meu apelido, mas gostaria de aprender a dança do ventre. Estou a passar por uma crise económica. Sou filha única e não mimada. Sou equilibrada, idealista, romântica, prezo muito a liberdade (pensamento, religião, opinião, gosto). Uma frase que adoro: "Grande é aquele que se faz de pequeno diante daqueles que se acham os maiores do Mundo". Gostaria de saber de quem é! Pronto. Eis, um pouco de mim. Meu nome é Francisco Carriço. Tenho 19 anos, nasci em Lisboa mas actualmente moro em Santarém. Já morei em muitos lugares (Aveiro, Coimbra, Chaves, Viana do Castelo). Há uma certa vida de cigano na minha pessoa. Por causa disso não tenho amigos, daqueles desde a infância. Arranjo um ou outro nos lugares onde moro, mas depois tudo acaba. Também não tenho muita facilidade em fazer amizades. Sou meio tímido. Mas quando me sinto à vontade falo bastante. Sobretudo nos bares. Apesar de ser novo já tive paixões. Acho que umas quatro. Mas sempre me dei mal. Sou estudante de arquitectura, gosto de tudo relacionado com arte, já comecei um curso de teatro mas não deu certo. Esse é um outro problema meu, não sou persistente, começo as coisas e não termino. Chamo-me Ana Sá. Tenho 29 anos. Sou professora e dou aulas de História. Meti-me a fazer um mestrado. Estou tonta de tanta coisa para ler, estudar, escrever. Mas é bom. Tenho trabalhado sobre o 25 de Abril. Adoro ler, ver filmes, caminhar na praia. Sou pisciana, sonhadora nata. Apaixonada, sempre. Desilusões? Muitas. Ilusões também. Mas acho que o saldo é positivo. Adoro fotografia e sonho em fotografar o fundo do mar. Sou a Zulmira Ladeira, moro em Lisboa, mas nasci em Castelo Branco. Tenho 32 anos. Não sei o que sou. Alguns dizem que produzo conteúdos, outros que entendo de html. Já andei pelo jornalismo, já escrevi dois livros, já plantei várias coisas, inclusive uma árvore. Mas a minha criação mais importante foi a minha filha Isaura. Tive duas grandes (des)ilusões (será que é um número recorrente?), apaixonei-me várias vezes e de amor entendo muito pouco, mas devo ter amado uma vez, quem sabe... Gosto de escrever e de devorar mais livros que filmes e gostaria de ser mais dedicada ao ofício para ganhar dinheiro, aprender línguas e, assim, viajar mais. Sei lá, fazer um cruzeiro. Quero conhecer a Austrália, aprender bateria, ser menos ansiosa e sonhar mais. Um dia eu chego lá...

10.6.05

O caminho

PROBLEMA 673. Os meus sentidos pêsames à maneira de todos vocês sobreviverem mas eu acho que descobri o caminho certo... vou por aqui... ou por aqui?...

Centro comercial

PROBLEMA 672. Não se sabe ao certo há quanto tempo ele passou a morar num dos mais venerados centro comerciais da cidade. Ontem de manhã, um dos funcionário encontrou-o. Pelos vistos, faz da sua casa um centro comercial. "O que está a fazer aí?"."Eu vivo aqui. Não quero ser triste, nem alegre. Quero viver. Aconteceu.". "Num centro comercial?". "O mundo de vocês não é um descomunal centro comercial?".

9.6.05

O número

PROBLEMA 671. Por mais equações que tente resolver ainda não descobri o número que me liga aos astros.

8.6.05

A mente

PROBLEMA 670. Não é só olhar e ver à toa, como olhar o mar e decidir que tudo é água. Não. Há dezenas de outros mares diferentes. A verdade está na nossa mente e não nos nossos olhos. Ainda que assim nos transtorne mais.

7.6.05

Miragem

PROBLEMA 669. Olha, será uma miragem? Deve ser do calor. Só pode. Vi-me numa esplanada virada para o mar a beber umas cervejas e a comer uns caracóis. Isto de um gajo ir almoçar à fartazana e depois ter de regressar ao local de trabalho é das situações mais problemáticas na existência de um ser humano.

6.6.05

O calo

PROBLEMA 668. De vez em quando devia parar, não andar tanto. Quando penso naquelas pessoas que permanecem nos seus postos de trabalho toda a manhã, toda a tarde, de pernas cruzadas...como se as pernas tivessem sido feitas para isso. Mas mesmo assim devia parar um pouco. Ficar mais vezes como ontem. Não sei se é de andar muito, se é do calor ou do calçado apertado. Mas estou a precisar de aliviar a pressão desta dor.

5.6.05

Cavaleiro solitário

PROBLEMA 667. Entre o amor e o dever...entre a traição e a honra...está um cavaleiro solitário. Guardei o dia de hoje para mim. E fiquei assim...
PAR73653

A dúvida

PROBLEMA 666. "Até agora só tenho visto morrer os outros, não tenho a certeza de morrer eu" (Agostinho da Silva)

De pedra

PROBLEMA 665. Agora que a abelha não me tem visitado, vou convivendo com esta estranha sensação de que quando chego à varanda da sala apetece-me ficar ali até me tornar de pedra. Só agora reparo que a palavra pedra tem as mesmas letras que perda...

4.6.05

A raiz dos problemas

PROBLEMA 664. PAR198462

Em vias de extinção

PROBLEMA 663. Os meus problemas são dos problemas mais ameaçadores do mundo. Correm o risco de desaparecer, de se extinguirem à medida que outros problemas se vão colocando neste imenso mar de problemas que é ter todos os dias problemas por resolver.

A VOZ DA CONSCIÊNCIA (14) antecipa a sua entrada em cena para colocar em sentido o autor:
- Arranjaste uma maneira subtil de ter um problema. O próprio problema de deixar de ter problemas. Será isso possível?

3.6.05

O passado

PROBLEMA 662.
- São 12 fotocópias do passado, se faz favor. As páginas estão assinaladas. Imprime o futuro? Trouxe-o numa disquete.
- Temos o computador avariado, um vírus apagou todos os programas. De momento só tiramos fotocópias.

Conclusão: é mais fácil tirar fotocópias do passado do que imprimir o futuro.

2.6.05

Acordar

PROBLEMA 661. Acordei ao som de estorninhos, melros, cotovias, pardais e de uma irritante máquina de cortar a relva.

1.6.05

Holofotes

PROBLEMA 660. Anjo da guarda, hoje tive um sonho triste, sonhei que era um anjo elegante no inferno, senti medo. Eu capa de revista? Nem pensar!

Tem que ser assim

PROBLEMA 659.

"não fui eu nem deus não foi você nem foi ninguém
tudo que se ganha nessa vida é pra perder
tem que acontecer tem que ser assim
nada permanece inalterado até o fim
se ninguém tem culpa não se tem condenação
se o que ficou do grande amor é solidão
se um vai perder outro vai ganhar
é assim que eu vejo a vida e ninguém vai mudar
eu daria tudo pra não ver você cansada
pra não ver você calada
pra não ver você chateada cara de desesperada
mas não posso fazer nada
não sou deus nem sou senhor
eu daria tudo pra não ver você chumbada
pra não ver você baleada
pra não ver você arriada a mulher abandonada
mas não posso fazer nada
eu sou um compositor popular"
(Zeca Baleiro)