31.7.05

As cartas de amor

PROBLEMA 744. Recebo as tuas mensagens como se de uma caixa de segredos que queres abrir para mim se tratassem. Falta saber quem tem a chave. Todas as cartas de amor também são um problema. Se não fossem um problema não eram cartas de amor.

Este mundo...

PROBLEMA 743. Todas as coisas são dificeis, e coisas há que o homem não as pode explicar com palavras. E o olho também se farta de ver e o ouvido se enche de escutar...

30.7.05

labirinto

PROBLEMA 742. O mundo hoje é um imenso labirinto onde percorremos corredores como se da mente de um adolescente se tratasse. Não entendemos o sentido do caminho, as palavras de nada adiantam, há uma evidente desordem em tudo, um ruído que tudo ilude.

29.7.05

problemas...

PROBLEMA 739. Atravessar com as minhas palavras a ponte do silêncio.

PROBLEMA 740. Os relacionamentos "fast food".

PROBLEMA 741. Como ficar em férias não estando em férias.

28.7.05

Campo electromagnético

PROBLEMA 738. Se o ser humano é regido por um campo electromagnético ao redor do corpo material então talvez esteja explicado o problema que tive hoje no comboio. Parecia um mágico a fazer um daqueles números de circo. A porta do comboio abria e fechava a um ritmo alucinante diante de um ser, eu!, espantado com o que estava a ocorrer mesmo diante os olhos. Gerou-se logo a confusão, porque o comboio não podia andar. Tiveram mesmo de chamar um grupo de electricistas para tratarem do assunto. O pior foi quando uma senhora de idade atirou para o ar. "Este senhor - referindo-se a mim - se isto fosse um país a sério devia ser levado à polícia para ser interrogado e revisto. Sabe-se lá o que ele tem com ele para junto da porta acontecer o que aconteceu". Fiquei aterrorizado e jurei a mim próprio não andar de comboio tão cedo. Só o pânico de encontrar pessoas terroristas como aquela senhora me enche de medo.

Anjo da guarda

PROBLEMA 737. O meu anjo da guarda voltou. Ou como ele diz eu é que o reencontrei. Fui à farmácia para tentar resolver o meu problema do calo no pé. Tirei a senha com o número 4. Tinha três pessoas à minha frente. Espantado fiquei quando reparei que uma das pessoas que estava no balcão a atender era o meu anjo da guarda. Como está diferente! Cabelo apanhado, boas cores. Comecei a fazer contas na minha cabeça e a estudar as probabilidades de com o número 4 poder ser atendido pelo meu anjo da guarda. Acabei mesmo por ter sorte. Envergonhado, contei o que se passava. E ele disse-me: "agora que me reencontraste não precisas de andar tanto..."E deu-me aquilo que diz ser a solução para o problema. Mas mesmo assim estou muito desconfiado, querem ver que o meu anjo da guarda anda com estratégias esquisitas para se ver livre de mim. "Não precisas de andar tanto..."???

27.7.05

As ausências

PROBLEMA 736.
"Fechado para férias. Voltamos já".
"Descanso do pessoal. Por pouco tempo".
"Tá-se bem na praia. Aguentem".
"Encerrado para balanço".
"Reabrimos do outro lado da rua. Daqui a um mês".

26.7.05

Os esconderijos

PROBLEMA 735. Imagino ter descoberto um esconderijo com tesouros maravilhosos. De repente acho que aquilo que aprendi como sendo o sentido da vida, como se a vida tivesse algum sentido, se encaixa na perfeição. Mas tudo conceitos errados! Quando regresso à luz do dia é que reparo que só trouxe pedras falsas e pedaços de tantas coisas que já não servem para nada.

25.7.05

As marionetas

PROBLEMA 734. Apercebi-me que hoje na rua um número inusitado de pessoas andavam com uma garrafa de água na mão. Se a isto juntar a coincidência de que em Glasgow vi o mesmo, mas com garrafas de coca-cola, começo a pensar que algo de mecânico se está a pegar às pessoas, às coisas, como se estivessem num palco de um teatro de marionetas.

24.7.05

No trilho dos terroristas (fim)

PROBLEMA 733. Passei o dia a ler de forma compulsiva e doentia a lista de instruções da máquina de lavar a roupa. Há aqui uns botões com os quais não estou a atinar. Eis-me de regresso à santinha terra.

23.7.05

No trilho dos terroristas (o medo...)

PROBLEMA 732. Estou-me a lembrar quando tocava à campaínha altas horas e ele sempre aparecia à porta. De pijama e refilando como se de um cão se tratasse . Outras vezes era ela. Uma doninha enfurecida. E aquela imagem que não me larga, aquela vez que a desviei do caminho escola-casa-escola. .. quando era um terrorista à minha maneira. A diferença era que não havia medo.

22.7.05

No trilho dos terroristas (já estou a ficar cansado)

PROBLEMA 731. As coisas passam-me ao lado.

21.7.05

No trilho dos terroristas (ainda continua)

PROBLEMA 730. Estava a comprar a Glória do Madagáscar, num centro comercial de Glasgow, quando recebi uma mensagem "Fica atento. Já há outra vez merda no metro de Londres. Cuidado." Será que é assim que nos temos de habituar a viver daqui para a frente?

20.7.05

No trilho dos terroristas (continua)

PROBLEMA 729. O céu de Glasgow está coberto de gaivotas. Não dizem que gaivotas em terras é sinal de tempestade? Entretenho-me a observar a troca de casais num bar da Ingram Street, mas pressinto algo de pior. Não sei se é da bebida, da solidão, mas às vezes há estes momentos de inquietude.

19.7.05

No trilho dos terroristas (continuação)

PROBLEMA 728. Aeroporto de Amesterdão. Fui duas vezes revisto a pente fino. Quando me mandaram abrir a mala do computador percebi no rosto deles que algo lhes inquietava. Por fim, a explicação. A escova de dentes. Sim. A escova de dentes. Queriam saber porque trazia a escova de dentes solta junto de livros como "as perturbações do pupilo Torless" ou "Lewis Carroll no país das maravilhas". Tentei explicar-lhes que não se tratavam de nenhuns tratados de terrorismo. Simplesmente, procurava por onde fosse libertar o mundo que tenho dentro da minha cabeça. E a escova de dentes não era senão um acidente de arrumação neste mundo vivido à pressa. Mas o medo, a desconfiança, instala-se...a cada passo...a cada esquina...a cada cerveja que bebo num bar a horas tardias.

18.7.05

No trilho dos terroristas

PROBLEMA 727. Amanhã vou algures para a Grã-Bretanha. Em missão especial. Vou seguir o trilho dos terroristas. Estou com um cuidado fora do comum a fazer a mochila, tremendo já de medo porque sei que vou ser revistado a pente fino. E quando me pediram a identificação, já sei que vou congeminar para mim próprio que algo de mal pode ocorrer. As caras que vou encontrar vão-me parecer todas estranhas. Olhares desconfiados, o meu sobretudo. Eu próprio serei um estranho em terra estranha.

Feitio

PROBLEMA 726. Mordo mais vezes a minha própria língua do que a vida.

17.7.05

Paradoxo

PROBLEMA 725.
À conta disto
kafka
e disto
musil
e ainda disto
getimage

se perguntarem por mim NÃO ESTOU!

(Entra em cena a minha alma)
- hoje não tenho um ponto de mira. Perdi-me. Não estou em parte nenhuma. Em todo o lado estou. E não há sinais que possa regressar tão cedo. Mas eu sei que os problemas não se vão dissipar. Porque não consigo deixar de dar importância a tudo.

16.7.05

Mudança

PROBLEMA 722. "Nascemos para a mudança num mundo criado para mudar, mais ou menos como uma gota de água de uma nuvem" (Robert Musil).

PROBLEMA 723. Essa mania de pensarmos que estamos presos a uma convenção linear das coisas.

PROBLEMA 724. Sabes que mais? Não me adapto a esta vida feita de estratégias.

15.7.05

Os dilemas da azia*

PROBLEMA 721

kompensan

OU

ant_salax_65

*A falta que me faz o meu anjo da guarda...

14.7.05

Posnegativo

PROBLEMA 720. Portanto, sou do tipo positivo + negativo= posnegativo. Ou seja, um problema. Porque depois de ser negativo, o positivo traz com ele sempre marcas do negativo. Noutra perspectiva, sou um optipessimista.

PROBLEMA 719. Quando ouço alguém dizer o que ninguém diz sinto-me menos pó. Tão raro...
- Acho que o tempo, a distância e o resto quase tudo são apenas 'disposições mentais'.
- Um puzzle de matrizes no nosso cérebro.

O relógio de parede

PROBLEMA 718. Quando a meio da noite à minha volta for tudo silêncio, pode acontecer que não se ouça o relógio de parede a trabalhar. Vou esperar. De ouvido atento. Preparar-me para o veredicto. Sabendo que cada um de nós traz em si um relógio. Que, às vezes, está parado sem darmos conta disso.

13.7.05

Divagações...

PROBLEMA 716. Estou com a ligeira sensação de que a minha escrita é circular. Ao ponto de descrever com minúcia aquilo que é indescritível. A escrita do nada.

PROBLEMA 717. Essa vontade mesquinha, de tudo explicar e reduzir a um sentido aborrece-me.

12.7.05

Tostas de trigo

PROBLEMA 715. Não dá jeito nenhum adormecer a comer tostas de trigo. Passei a noite anterior com comichões.

11.7.05

O puzzle

PROBLEMA 714. O mundo é o meu puzzle. Tenho-o sempre comigo. Jogo-o com estratégia e paciência. Mas sei que nunca o vou terminar. Porque este puzzle, onde tenho milhões de peças à disposição, e por mais que as vá encaixando umas nas outras, está longe de dar a conhecer o aspecto da imagem geral.

10.7.05

A alma

PROBLEMA 713. O negócio da alma é segredo. Não percebo porque é que a alma dos nossos dias aceitou este negócio...

9.7.05

As matrizes

PROBLEMA 712.linha da vida
Tinha este papel na minha caixa de correio. Qual o significado destes traços e linhas? Será a nova teoria do espaço e do tempo ou o meu bioritmo para a semana? E quem terá sido o(a) responsável por isto? Tantas perguntas...A minha vida, às vezes, parece um puzzle de matrizes.

O encenador

PROBLEMA 711. Em Kastinova, as pessoas foram abandonadas à sorte pelo encenador. Deixou de haver um guião, o tempo dos diálogos, as cenas previamente estruturadas, regras. Perderam-se. Perderam por completo o sentido da vida.

Eu

PROBLEMA 710. Eu sou o problema a resolver!

8.7.05

Medo

PROBLEMA 709. Havia um silêncio diferente hoje no comboio. A solidão de Kafka. Menos sorrisos. A linguagem pobre. A omissão dos gestos habituais. Alguma coisa está errada.

7.7.05

Hoje estou assim (19)

PROBLEMA 708. london

6.7.05

Validade

PROBLEMA 707. Tenho três maçãs a apoderecer no cesto, os iogurtes passaram do prazo de validade, o mesmo aconteceu com os ovos. Mas porque é que as coisas têm de ter um tempo limitado? Eu próprio tenho a minha data. E se eu me perder no tempo?

5.7.05

Atado

PROBLEMA 706. A modos que uma garrafa lançada ao mar: "Amanhã, no Fórum Lisboa, Zeca Baleiro apresenta o novo álbum "Baladas do Asfalto e outros blues". Quem poder ir que me conte depois. Please! Novos concertos no Teatro Rivoli, no Porto, na quinta-feira, e no teatro Gil Vicente, em Coimbra, na sexta.

4.7.05

Vento

PROBLEMA 704. Está tanto vento, tudo tão agitado, até as árvores são perenes, os sentimentos redemoinhos. A arrogância de certas ventanias deixam-me assim, inquieto, à flor da pele.

PROBLEMA 705. A ventania é tanta que o caminho do regresso a casa mais parece uma viagem de barco em alto mar em noite de tempestade. Mas o regresso é sempre doloroso, não é?

3.7.05

Insónia

PROBLEMA 703. Que horas são? Não sei! Só sei que a paz é absoluta. E não durmo. Que horas são? Não sei. Só sei que repouso no esquecimento e todos os problemas são escritos no dia seguinte.

2.7.05

Arrumações

PROBLEMA 702. Os meus problemas com as arrumações baseiam-se na mania que tenho de, ciclicamente, dar-me umas fúrias e deitar para o lixo coisas que depois me venho a arrepender. Tinha anotado a lista de livros que estavam numa montra de uma livraria (não é a do problema 701, é outra) para escrever uma história a partir disso. Na fúria de tudo rasgar acabou por ir parar ao lixo. Voltei à livraria, mas os livros já são outros...

1.7.05

A montra da livraria

PROBLEMA 701. Isso não se faz. Todos os dias passo por uma livraria que tem na montra quatro livros que me vão deixando inquieto. Um caderno azul intitulado "livro de viagens" e três outros sobre as cidades de Praga, Amesterdão e Atenas. Isso não se faz. Logo eu que só vou ter férias em Setembro.