29.5.06

O silêncio de Deus

PROBLEMA 1005. 1

pensamentos

PROBLEMA 1004. guerra

O gato

PROBLEMA 1003. Um gato perdido anda pela pouca sombra que ainda resta nestes dias de calor e vai descobrindo que está cada vez mais a desviar-se do caminho de regresso a casa.

20.5.06

artimanha

PROBLEMA 1002. Tenho de arranjar maneira, seja lá como, de na próxima sexta-feira baldar-me mais cedo ao trabalho para chegar a casa e ver o segundo episódio da mini-série "Net Force" sobre a influência do poder cibernético na sociedade actual. No AXN.
Netforce
("Preferia o tempo em que mandávamos cartas com selos".)

Os gigantes

PROBLEMA 1001. "Talvez a solução para o mundo seja que todos nos tornemos pigmeus, uma vez que os recursos estão a esgotar-se. Sabemos que já aconteceu. Daqui a mil anos, a selecção talvez favoreça os que consomem menos recursos. Os gigantes não têm futuro". (Sydney Brenner, Nobel da Medicina 2002).

19.5.06

sonho

PROBLEMA 1000. Acordei cansado. Tive um sonho estranho. Vi-me na mente. No céu estive, na terra andei, pelas águas passei; nos animais, nas plantas, estive em todas as coisas, em todos os lugares.

18.5.06

Universos paralelos

PROBLEMA 999. Desconfio que devo ter uma vida secreta. Uma outra identidade. Hoje de manhã, uma senhora que nunca tinha visto na minha vida, cumprimentou-me, com dois beijinhos na cara, perguntou-me se as obras na nova casa, que não tenho, já estavam prontas, se tinha tudo corrido bem em Londres, onde não fui nos últimos tempos, e quando é que o livro que andava a escrever era publicado, o que não é verdade.

a rotina

PROBLEMA 998. A mulher mais bonita da minha rotina estava atrás do balcão do café onde vou todas as manhãs. Estava. Não vou deixar de ir ao café. As rotinas são para se manterem. Mas já não é a mesma coisa.

13.5.06

o horóscopo

PROBLEMA 997. Lia o horóscopo todos os dias até que alguém lhe chamou a atenção que o jornal era do ano passado.

A ameaça

PROBLEMA 997. É nos sítios mais inesperados que acabamos por ser ameaçados. Estava na casa de banho da estação de comboios a urinar quando deparei com a seguinte mensagem na parede: "Rapidamente, e com toda a precisão, o seu caso será estudado e os resultados far-se-ão sentir logo após a primeira semana. Assim, se realmente pretende mudar a sua vida e a dos seus entes mais queridos, não hesite, dê, hoje mesmo, o passo que o pode levar a viver dias mais felizes".
Assim, tão fácil? Acho que vou desistir de ser feliz.

Viagem (continuação)

PROBLEMA 996. Estou a precisar de desintoxicar-me da minha absorvente mania de levar o trabalho demasiado a sério. O mesmo é dizer que estou a precisar de férias.

P.S. Faltam 62 longos dias...

A viagem

PROBLEMA 995.Ele tinha o delírio das viagens, a ânsia de dispersar-se, a curiosidade insaciável do peregrino. E uma borboleta na barriga. Decidiu partir para Veneza. Sim, ele sabia que não se deve regressar a um local onde se foi feliz, mas também tinha a mania de reacender lenha queimada.

6.5.06

Deve ser por isso

PROBLEMA 994. Há uma personagem erudita que, de vez em quando, visita-me e traz-me coisas como esta:
Deve ser por isso
que eu não distingo as realidades,
que eu não vejo onde começa o impossível,
que eu sinto a insatisfação dum mesmo sítio
e desejo outro lugar constantemente;
deve ser por isso
que eu não escolho um destino para me assentar depois
e ando a tropeçar à espera, à espera,
sem mesmo disso ter perfeita consciência...
deve ser por isso
que eu estendo a mão para um objecto
e ele está mais longe que o comprimento do meu braço.
Jorge de Sena

a ferida e a borboleta

PROBLEMA 993. Apareceu-lhe uma ferida no pulso durante a noite. Não se recorda de nada. Talvez se tivesse levantado de madrugada e, na escuridão do corredor, tivesse batido com a mão na maçaneta da porta. E apareceu-lhe uma borboleta no quarto. Disso lembra-se. Deixou a janela aberta e quando foi dormir lá estava ela no tecto. Travou uma dura batalha de vassoura na mão para a expulsar. Até que de repente a borboleta caiu morta no chão. Exausta de andar a fugir dele. E ele não teve coragem de fechar a janela. E adormeceu. Mas não se lembra muito bem se foi mesmo assim.

o riso

PROBLEMA 992.
- Há quanto tempo não te lembras de rir nos teus sonhos?

4.5.06

eu

PROBLEMA 991. Entrei no elevador e ao olhar para o espelho vi o meu rosto multiplicado. Era eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu...não tinha fim. Foi então que percebi que isto de ser eu é ainda muito mais complicado do que eu julgava.

Bacalhau de cebolada

PROBLEMA 990. O único bacalhau que não gosto é o de cebolada. E cada vez sou menos um francês, rima e é verdade! Por isso, ontem, por força das circunstâncias juntaram-se duas forças negativas contra mim. O dito bacalhau com cebolada e uma citação de Eça de Queirós que me foi impingida: "Os meus romances, no fundo, são franceses, como eu sou, em quase tudo, um francês - excepto num certo fundo sincero de tristeza lírica que é uma característica portuguesa, num gosto depravado pelo fadinho, e no justo amor do bacalhau de cebolada!" (Eça de Queiroz, carta a Oliveira Martins).

uma história amarga

PROBLEMA 989. Havia o açucar, o mais doce dos alimentos, de contribuir para um dos episódios mais amargos da história da formiga.